Médico do FC Porto afirma que enfarte não impediu regresso de Iker Casillas ao relvado

Na terceira sessão do julgamento no Tribunal do Trabalho do Porto, o diretor clínico do FC Porto, Nélson Puga, afirmou que Iker Casillas não ficou com sequelas funcionais que o impedissem de regressar ao relvado de alta competição. Segundo o especialista em medicina desportiva, o antigo guarda‑redes espanhol apresentava risco reduzido de recorrência, desde que mantivesse a medicação prescrita.
"Em 02 de maio de 2020 podia ter voltado à competição de alto nível. Isso não tenho a mais pequena dúvida", declarou Puga ao responder ao advogado de Casillas. O médico sublinhou que nunca foi detetada qualquer doença coronária nos exames subsequentes, apenas um ligeiro aumento de colesterol, insuficiente para justificar avaliações cardíacas mais invasivas.
Ao ser questionado sobre a possível relação entre o treino e o episódio cardíaco, Puga rejeitou categoricamente qualquer nexo causal. "O enfarte decorre da doença. Tudo o resto são especulações. Não há trabalhos científicos que permitam dizer que foi o treino que provocou o enfarte", afirmou, acrescentando que o guarda‑redes não realizou esforço anormal na manhã do incidente.
O parecer do cardiologista
O cardiologista Luís Macedo, que acompanhou Casillas após o enfarte, salientou a importância da rapidez da intervenção. "Tempo é músculo cardíaco. Quanto mais tempo demorar a abrir a artéria, mais sequelas pode ter", explicou, referindo que o tratamento foi iniciado cerca de noventa minutos depois dos primeiros sintomas. Macedo confirmou que o ex‑guarda‑redes recuperou a capacidade funcional, nunca apresentou arritmias e manteve a função cardíaca preservada, concluindo: "Por mim, eu acho que podia jogar".
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